A guerra dos seus dias – que já dura 52 anos

Em 5 de junho de 1967, iniciava-se o confronto. Depois dele, nada mais foi igual no Oriente Médio

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Nunca um conflito tão curto deve ter deixado marcas tão profundas. A Guerra dos Seis Dias, que faz 52 anos agora, legou — às futuras gerações de judeus, palestinos e outros árabes — fronteiras e ressentimentos presentes até os dias atuais. Então teve início a ocupação de Israel na Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental, os pontos nevrálgicos do conflito com os palestinos. O território da Autoridade Palestina basicamente é aquilo que Israel tomou em 1967 do Egito e da Jordânia. E reluta em largar.

Terceira vez

Outro nome para a Guerra dos Seis dias é Terceira Guerra Árabe-Israelense. Como indica, não foi a primeira — tampouco seria a última. Começou em 1948, com o nascimento de Israel  por uma resolução da ONU. As posições dos judeus foram atacadas por todos os vizinhos imediatamente, pois eles consideravam a ação uma conquista territorial justificada pela ONU. É chamada Guerra de Independência pelos judeus. Quanto aos palestinos, expulsos então de suas terras, a chamam de Nakba (Catástrofe).

Ao enfrentamento de 1948, seguiu-se, em 1956, a Guerra do Sinai, contra o Egito, com o apoio ocidental. Depois dos Seis Dias, ainda viriam as Guerras do Yom Kippur, em 1973, e do Líbano, duas vezes, em 1982 e 2006. Isso sem contar, em períodos de paz, as intifadas, revoltas violentas dos palestinos.

Desde a fundação de Israel, em 1948, paz já era uma palavra relativa. Segundo estimativas da época, mais de 700 mil dos árabes da região, que resistiram ou simplesmente estavam no caminho, se tornaram refugiados.

Alta pressão

Afinal, quem começou? Alguns culpam os sírios, que atacaram em 7 de abril de 1967, nas Colinas de Golã, uma escaramuça menor. Outros sustentam que foi o Egito. Eles sabiam ou imaginavam saber a partir de fontes soviéticas que os israelenses estavam dispostos a atacar os sírios e tinham um acordo de ajuda mútua.

De concreto, o que se viu foi uma série de ações tomadas pelo presidente do Egito, Gamal Abdel Nasser. Em 16 de maio de 1967, solicitou a retirada das tropas de segurança da ONU do solo egípcio. O grupo estava localizado na divisa com Israel, justamente, para garantir a paz na região pós-1956. Com o pedido aprovado, Nasser enviou o seu exército para a fronteira, fazendo soar o alarme das autoridades israelenses.

Soldados em Jerusalém Oriental, movendo-se em direção ao Muro das Lamentações / Crédito: Reprodução

Somado a isso, entre os dias 22 e 23 de maio, Nasser ordenou o fechamento do Estreito de Tiran aos barcos de Israel, tornando a cidade portuária israelense de Eilat isolada e bloqueando o acesso dos israelenses ao Oceano Índico. Nas rádios egípcias, ouvia-se o discurso da restauração dos “direitos dos palestinos usurpados pelo Estado sionista”.

Essa série de movimentações do Egito, equipadas com armamentos russos, aliada à mobilização síria nas Colinas de Golã e a aproximação de Gamal Nasser com o rei Hussein, da Jordânia, fez com que Israel aumentasse a força militar na fronteira sul.

Conforme avançavam os meses de 1967, ficou claro que guerra não era uma questão mais de “se”, mas de “quando”. A panela de pressão estourou em Israel. O veterano da independência Moshe Dayan se tornou ministro da Defesa e optou por um “ataque preventivo”.

O major israelense identificado apenas como Ezra, então com 30 anos, conta como recebeu a notícia. “No dia 5 de junho encontrava-me num voo de patrulha rotineiro. Subitamente, meu companheiro e eu fomos avisados de um ataque aéreo egípcio. ‘Saiam para Bir-Gáfgafa no Sinai e liquidem os aviões (do Egito) na pista e no ar’, era a ordem que havíamos recebido. Algo dentro de nós se incendiou. A expectativa de duas semanas chegara ao fim. Puxamos a alavanca da direção, mudamos de rota, verificamos o rumo e atravessamos a fronteira. De cima, víamos os acampamentos egípcios fortificados e dispostos em campos abertos, dirigidos para Israel. Continuamos para Bir-Gáfgafa. Quatro MIGs prateados estavam estacionados à margem da pista negra. Com o primeiro ataque surpreendemos a base, atingimos dois MIGs e subimos perseguidos por pesado fogo antiaéreo. Voamos para leste, para dentro do sol, sendo nosso objetivo um segundo ataque do lado do sol. Atingimos os outros dois MIGs e voltamos para casa. Fomos rearmados, reabastecidos e ‘caímos’ de novo sobre as bases egípcias. Num ataque posterior voei para uma base síria; voltei e, ainda no mesmo dia, saí para mais um voo longo – para a base aérea H-3, no Iraque.”

A narrativa está no livro de D. Dayan, A Guerra dos Seis Dias. Sua ordem dava início à Operação Foco, nome dado ao ataque-surpresa perpetrado pela Força Aérea Israelense (não, os egípcios não estavam atacando). Em questão de minutos, cerca de 200 aviões egípcios foram destruídos, a maioria ainda em solo, e 11 aeroportos, severamente avariados. Um segundo ataque, horas depois da primeira ofensiva, tirou de combate mais 107 aviões egípcios.

A Operação Foco cortou, literalmente, as asas do inimigo, abrindo caminho para a vitória por solo. Centenas de tanques árabes também viraram fumaça e ferro retorcido. O rescaldo do dia, somando-se ataques contra bases na Síria, Jordânia e Iraque, foi de aproximadamente 400 aeronaves árabes abatidas, contra duas dezenas do lado israelense.

1957: após a primeira ocupação da Faixa de Gaza, na Guerra do Sinai, crianças árabes esperam por sua ração de leite distribuída pelas Nações Unidas / Crédito: Reprodução

Ao lado da ação aérea no Egito, teve início a marcha das três divisões do Exército israelense que tinham o objetivo de conquistar, pelo solo, o Sinai. Sete divisões egípcias os receberiam.

O controle absoluto do ar permitiu que as tropas terrestres avançassem sem perturbação. Nas primeiras horas da noite, uma das divisões sob o comando do major-general Ariel Sharon (que se tornaria primeiro-ministro em 2001) atacou a área fortificada mais vital do arsenal egípcio no deserto do Sinai, abrindo caminho para nova vitória militar israelense. Noventa e uma horas depois, o Sinai e a Faixa de Gaza estariam dominados.

O rei enganado

Nem tudo foram boas notícias para Israel. Ainda na manhã do dia 5, outro front havia sido aberto. Desta vez, com a Jordânia. Enganado pelo presidente egípcio – que apregoou estar vivenciando uma acachapante vitória contra os “sionistas”, o rei jordaniano Hussein decidiu entrar no conflito atacando, por volta das 10h, a parte ocidental da cidade de Jerusalém.

Foi uma oportunidade para os falcões de Israel. Os acordos de fundação do país, em 1948, previam que o lado oriental de Jerusalém pertenceria aos árabes. Mas Jerusalém era a capital histórica do país que os sionistas buscavam reconstruir. O primeiro-ministro Levi Eshkol, ao fim do dia, profetizou numa conferência de imprensa: “À luz da situação em Jerusalém e apesar dos ataques que estamos recebendo e dos avisos que foram enviados à Jordânia, esta é a nossa chance de finalmente libertar a Cidade Velha”.

Jerusalém Oriental seria “libertada” (conquistada?) em meros dois dias. Na madrugada do dia 6, a Brigada de paraquedistas israelenses tomou a Colina da Munição. Ao longo do dia, em cooperação com a brigada de Jerusalém, eles controlariam os bairros e cidades que rodeavam a Cidade Velha, abrindo caminho para a tomada da parte oriental de Jerusalém. Quanto aos habitantes locais, passaram a terça-feira imersos em abrigos antibomba, emergindo deles apenas no alvorecer de 7 de junho.

A alguns quilômetros dali, no cair da tarde, Israel começou a bombardear Gaza, então parte do Egito. A Sétima Brigada Blindada, comandada pelo major-general Yisrael Tal, foi encarregada da tarefa.

9 de junho: um dos aviões egípcios arruinados em solo, no aeroporto de El Arish / Crédito: Reprodução

Em meio a esse avanço implacável, a população árabe, sob regimes autoritários, conforme D. Dayan na obra A Guerra dos Seis Dias, era informada de que o fim de Israel estaria próximo, com a “vitória egípcia, síria e jordaniana”. A realidade logo se tornaria impossível de ocultar.

Na madrugada de 7 de junho, a Brigada 55 rompeu a Cidade Velha e atravessou a porta dos Leões, convertendo o trecho da “Via Dolorosa” em “Via da Felicidade” – ao menos para os judeus. Em questão de minutos, a bandeira com a Estrela de Davi flamulava junto ao Muro das Lamentações.

O rabino militar chefe, general de divisão Shlomo Goran, tocou o shofar — instrumento de sopro sagrado — e, carregando um rolo do Torah, realizou a primeira sessão de oração judaica no Muro Ocidental desde 1948. A festa continuou pelas horas seguintes. O primeiro-ministro Levi Eshkol, o ministro da Defesa Moshe Dayan e o chefe do Estado-Maior Yitzhak Rabin chegaram ao recém-conquistado Muro das Lamentações. A cantora israelense Noemi Shemar e o coro da Brigada começaram a cantar Jerusalém de Ouro, que falava nos dois milênios pelos quais os judeus esperavam voltar a Jerusalém.

Na manhã do dia 8, o norte da Faixa de Gaza foi limpo, e ao meio-dia a conquista de Chan Yunas, no sul de Gaza, foi concluída. Na Jordânia, os aviões da Força Aérea Israelense (FAI) atacaram o corpo de armamento jordaniano na passagem ocidental para Nablus, fazendo com que o prefeito da cidade anunciasse a rendição e permitindo que as forças blindadas tomassem Ramallah, Jericó e Belém. No Egito, os israelenses chegaram ao Canal de Suez. Todas as passagens para o Ocidente foram bloqueadas, e as Forças Armadas egípcias, que tentaram alcançar o canal, foram emboscadas e atacadas nas passagens de Gidi e Mitle.

No final de um dia de batalha saturado de sangue, milhares de soldados egípcios estavam presos no coração do deserto, sem acesso a suprimentos ou munições. Diante da derrota iminente, às 21h30 o Egito anunciou seu acordo para um cessar-fogo no Sinai. Conforme o major-general do Comando do Sul de Israel, Shayke Gavish, as forças israelenses haviam destruído 600 tanques egípcios, capturando outros 100.  Aproximadamente 10 mil soldados fiéis a Gamal Nasser foram mortos e 3 mil, capturados. As perdas de Israel no Sinai chegaram a 275 homens, com 800 feridos e 61 tanques atingidos.

A bandeira israelense hasteada em território sírio, em junho de 1967 / Crédito: Reprodução

Tão amplo era o rolo compressor que atacaram até seus aliados. O navio norte-americano USS Liberty foi confundido com uma embarcação inimiga e atacado por torpedos e aviões. Vinte e oito tripulantes dos EUA foram mortos. O Alto Comando Israelense atribuiu o erro grave às atribulações de uma guerra em larga escala.

Após o cessar-fogo com o Egito, as ações do dia 9 se direcionaram às Colinas de Golã, na fronteira com a Síria, que foi capturada em outra ofensiva irrefreável. Foi a última ação. Na manhã seguinte, sábado, 10 de junho, o major-general israelense Elad Peled recebeu a notícia de que um cessar-fogo total começaria às 18h30. Dany Rubinstein, veterano de 1967, resumiu o sentimento isralense à BBC Brasil: “Para a maioria de nós foi um milagre. Foi como um sonho que nós achávamos que jamais fosse virar realidade”.

No total, Israel teria computado 766 mortes ao longo dos seis dias de guerra; do lado árabe, o número de óbitos passaria de 18 mil, embora haja estimativas bem maiores.

O preço da vitória

Após 1967, Israel viu sua área territorial passar de 20.720 quilômetros quadrados para 67.340 quilômetros quadrados. Foi conquistada a Península do Sinai, essa devolvida ao Egito em 1982. Também a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, do Egito e Jordânia. A primeira está sob a Autoridade Palestina desde 2005. A segunda continua ocupada em 61% de seu território — a chamada Área C. As Colinas de Golã foram anexadas oficialmente, ato até hoje não reconhecido pela comunidade internacional. Jerusalém Oriental, local de extrema importância para os árabes, também está sob a autoridade dos israelenses.

Daquele momento em diante, a aversão árabe ao vizinho só fez crescer, para dizer o mínimo — todos os movimentos radicais islâmicos pregam pelo fim de Israel. “O significado mais profundo da Guerra dos Seis Dias é muito maior que uma derrota militar — é uma derrota social”, afirma o especialista em relações internacionais libanês Fawaz Gerges.

Segundo ele, a derrota foi um imenso golpe no nacionalismo árabe defendido por Nasser. Uma prova de incompetência. “Um consenso surgiu entre os árabes: o de que sua sociedade, e não só o Exército, foi derrotada e que a catástrofe expunha seu atraso como civilização e em ciência.” A desmoralização do nacionalismo abriria espaço para outro discurso: o da identidade religiosa, universal e moral, acima da capacidade tecnológica. De que Nasser e outros nacionalistas foram derrotados por vontade de Deus, por sua decadência; sua falta de fé e estilo de vida pecaminoso. Esse é o discurso do Hamas.

A guerra também aumentou o número de refugiados palestinos. E não ajudou em nada o vencedor tratar de ocupar o que passou a ver como sua casa, iniciando o processo de assentamentos, como na mencionada Área C da Cisjordânia. Essa ação é considerada ilegal pelo Conselho de Segurança da ONU, e um dos maiores entraves para a paz.

Ao fim do combate, a ONU emitiu a Resolução 242, ordenando a retirada de Israel de todas as regiões ocupadas. O país impôs certas condições para aceitar a proposta e acabou estabelecendo administrações militares nos territórios ocupados. Gaza, Cisjordânia, as Colinas de Golã e o Sinai só voltariam à soberania de seus países se, em troca, os árabes reconhecessem o direito de Israel à existência e dessem garantias de que novos ataques não ocorreriam.

1970: guerrilheiros palestinos patrulham as ruas de Amã, na Jordânia, durante uma guerra civil entre o governo do país e residentes palestinos / Crédito: Reprodução

As lideranças árabes reuniram-se em Cartum, capital do Sudão, em agosto de 1967. Decidiram por uma política que não reconheceria o Estado de Israel nem flertaria com negociações de paz. Após a derrota na Guerra de Yom Kippur, o Egito desistiria e selaria a paz com Israel em 1978. A Jordânia também, em 1994.

Inimigo próximo

Mas paz entre nações não quer dizer paz entre povos. A panela de pressão posta ao fogo em 1967 estouraria 20 anos depois, na Primeira Intifada, uma grande revolta, que ia de atirar pedras a usar cinturões-bomba. Duraria quase seis anos e, na ocasião, um novo jogador entraria em cena: o Hamas, um capítulo da Irmandade Muçulmana que se levantou contra  o que via como leniência com Israel , corrupção e secularismo decadente da OLP e seu partido político, o Fatah. O Hamas introduziu o radicalismo islâmico na causa palestina. A OLP tinha um programa secularista.

Por um instante, porém, tudo isso pareceu coisa do passado. Em 1993, o líder da Organização para a Libertação da Palestina, Yasser Arafat, considerado um dos mais perigosos terroristas por Israel até poucos anos antes, assinou, ao lado do premiê israelense Yitzhak Rabin, e sob os olhos do então presidente dos EUA, Bill Clinton, o Acordo de Paz de Oslo. A OLP reconhecia Israel como país e Israel reconhecia a OLP como a voz do povo palestino.

A euforia tomou o mundo todo e ambos foram agraciados com o Prêmio Nobel da Paz. Doce ilusão. Em novembro de 1995, Rabin foi assassinado e seu sucessor, Benjamin Netanyahu, iniciou a desconstrução do acordo selado. Assentamentos foram reiniciados. Em resposta, a Segunda Intifada aconteceu entre 2000 e 2005. No mesmo ano, o Fatah criou as Brigadas de Mártires de Al-Aqsa, organização responsável por atentados. Arafat morreria em meio à intifada, em 2004, sob circunstâncias ainda hoje suspeitas.

Em 2007, numa breve guerra civil palestina, o Hamas expulsou o Fatah  da Faixa de Gaza e o Fatah o expulsou da Cisjordânia. Com isso, a Palestina hoje são duas, com uma delas, a do Hamas, hostil não só a Israel como ao Ocidente em geral.

Hamas e Fatah raramente concordam em alguma coisa. Mas uma delas é que Israel precisa pagar. Em 31 de julho de 2015, extremistas judeus atacaram duas casas palestinas com bombas incendiárias, matando um bebê de 18 meses e sua mãe. Agiam em resposta à demolição pelo governo de Israel do assentamento em Bet El. A resposta veio em 3 de outubro, quando Muhanad Shafeq Halabi, um jovem de 19 anos, atacou um casal com um carrinho de bebê rumo ao Muro das Lamentações. O pai e um senhor idoso que interveio morreram. O jovem matador seria exterminado pela polícia.

Os manda-chuvas Ytzhak Rabin, Moshe Dayan e o general Uzi Narkiss em Jerusalém Oriental, 1967 / Crédito: Reprodução

Mas seu exemplo seria seguido, diante da fúria contra Israel compartilhada tanto por religiosos quanto por seculares. Na chamada Intifada das Facas, 38 judeus seriam mortos e 558 feridos versus 235 árabes mortos e 3917 feridos. O Hamas se envolveu diretamente. O Fatah chamou os que cometiam atentados de “heróis”.

A questão nacional

Se hoje israelenses discutem o mérito da guerra, na época, foi celebrada. A primeira-ministra Golda Meir, que governou entre 1969 e 1974, acreditava que uma identidade palestina nem sequer existia, pois os territórios “palestinos” eram de outros países, Egito e Jordânia. Dizia que 1967 foi uma ação defensiva. E que quem dificultou a paz nunca foi Israel, mas o mundo árabe, que, já em 1947, recusou a partilha da Palestina prevista pela Resolução 181 da ONU. O objetivo dos árabes sempre foi “destruir Israel”.

A narrativa da defesa é a posição ainda hoje oficial. Mas, para um dos dos “novos historiadores israelenses”, Ilan Pappé, o que o governo de Israel fez, pós-1967, foi dar continuidade ao processo iniciado em 1947-48, que visava ocupar o máximo de áreas palestinas, com o mínimo de palestinos possível. Segundo Pappé, que esteve em São Paulo no último mês de abril lançando a versão brasileira de seu livro A Limpeza Étnica da Palestina, Israel é o único Estado a negar que colonizou terras estrangeiras. O historiador também sustenta que o discurso pela “busca da paz” na região deveria ser substituído por propostas reais de descolonização, levando em conta a situação dos refugiados.

Shajar Goldwaser, ativista de oposição israelo-brasileiro e membro da Global Jewish Network for Justice, tem uma visão parecida: “Após Israel tomar os territórios da Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, deu-se continuidade ao processo iniciado em 1948 de desapropriação de terras e expulsão da população para dar espaço aos colonos”.  Ele compara a situação dos refugiados ao Apartheid da África do Sul.

Contraste a visão do analista político Ben Caspit,  próxima ao consenso tradicional. Em artigo ao site Al-Monitor, ele afirma que a guerra foi boa para Israel. Que o país renasceu como potência. “Cinquenta anos depois, todas as ameaças existenciais a Israel foram removidas”, diz. “Acordos de paz foram assinados com o Egito e a Jordânia. O programa nuclear do Irã ficará parado por 15 anos. A Síria é um Estado em pedaços, como o Iraque. O Hezbollah pode ser uma ameaça terrorista, mas não existencial. O mesmo é verdade sobre o Hamas.”

Caspit também diz que “é duvidoso que tenha havido um evento mais decisivo na história de Israel e do Oriente Médio”. Nessa parte, não há polêmica.

Fonte: Aventuras na História

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